Tradição de 4 gerações
Mestre Chico Belo
O artesão do couro que transformou ofício em patrimônio e resistência nos sertões cearenses.
A herança de uma vida
Cearense, conhecido como Chico Belo, Francisco Alves de Freitas nasceu há 76 anos em Caridade, no Sertão de Canindé, no estado do Ceará. Herdou o ofício da família, mantendo a tradição de três gerações anteriores à sua.
Carregando consigo a marca de uma história de luta e de trabalho nos mais inóspitos lugares cearenses através da arte e da sobrevivência, mantém até hoje a filosofia da arte da família Belo: o artesanato em couro. O ofício — herdado do pai (João Belarmino de Freitas), que veio do avô (Raimundo Belarmino de Freitas) e do bisavô (Raimundo Marcos de Freitas) — se torna patrimônio dos sertões cearenses através do aproveitamento do couro como arte plástica.
É a resistência às intempéries do semiárido e o símbolo da sobrevivência de milhares de nordestinos, pairando sobre o sertão suas lutas, reconhecimento e cultura.
Iniciado pelo pai aos 14 anos, Chico Belo sempre se mostrou curioso e atento a cada detalhe e às dimensões simbólicas que permeavam a concretização da arte da família. Ainda adolescente, passou a transformar o trabalho de seus antepassados em arte e sobrevivência.
A arte que veste o Vaqueiro
Ainda muito jovem, começou a transformar estes símbolos em objetos essenciais para a vida e os desafios do homem na caatinga. Sua arte se volta para o vaqueiro, símbolo maior do povo cearense. Em suas mãos, o couro curtido vira selas e arreios, botas e sandálias, cintos e chicotes — as peças mais criativas e inerentes que compõem o universo do vaqueiro nordestino.
Com mais de 60 anos de ofício, Mestre Chico Belo se destaca pelo esmero e pela delicadeza do seu trabalho. Ele eleva sua profissão, certamente por considerar seu ofício uma verdadeira arte, e por essa arte transpassar por diversas dimensões da vida e da cultura popular nordestina.
Reconhecimento e Legado
A excelência de seu trabalho, forjada por décadas de dedicação ao couro, trouxe ao Mestre o merecido reconhecimento institucional e cultural, marcando novos capítulos de sua vida a nível estadual e nacional:
- 2018: Reconhecido como "Tesouro Vivo da Cultura" pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará e agraciado com o título de "Notório Saber em Cultura Popular" pela UECE.
- 2019: Recebeu o Título de Mestre da Cultura Popular Cearense, contemplando notoriedade ao seu ofício.
- 2023: Consagrou-se como Presidente de Honra do Instituto Mestre Chico Belo.
- 2025: Lançamento do livro "Chico Belo, o menino que se tornou Mestre do Couro" (apresentado na XV Bienal Internacional do Livro do Ceará e no 19º Salão do Artesanato em São Paulo) e estreia do documentário "60 anos de ofício: a arte do Mestre Chico Belo" na Caixa Cultural de Fortaleza.
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